80% da População com Défice de Vitamina D

Foram feitos recentemente dois estudos inéditos em Portugal para determinar os níveis de Vitamina D na população e o que descobriram foi assustador!

Mas primeiro, o que é a Vitamina D e qual o seu papel no organismo? Assistam a esta explicação do Dr. Manuel Pinto Coelho.

Agora que já sabem para que serve a Vitamina D, voltamos aos estudos.

O estudo mais recente foi feito em crianças e adolescentes saudáveis da região do Porto e cerca de metade apresentou níveis de Vitamina D abaixo do normal, independentemente do estado de nutrição e da atividade física.
O trabalho desenvolvido pela pediatra Carla Rêgo foi publicado na Acta Pediátrica Portuguesa onde se lê o seguinte: “Verificou-se uma prevalência de 4,7% de compromisso de massa óssea para a idade.”

Esta é uma notícia alarmante, pois se já existe em criança ou adolescente uma diminuição da massa óssea de 4,7%, e tendo em conta que dois terços da massa óssea são formados na adolescência, qual será o impacto da deficiência desta vitamina na idade adulta?

“Apesar de o raquitismo na infância e a osteomalacia no adulto representarem as consequências mais graves da carência desta vitamina, níveis moderados de insuficiência podem ter efeitos importantes na saúde, já que a VitD, direta ou indiretamente, influencia cerca de 200 genes. Efetivamente, alguns estudos têm demonstrado uma associação entre a deficiência em VitD e o aumento do risco de certas doenças crónicas, incluindo as doenças cardiovasculares, várias formas de cancro e doenças autoimunes como a esclerose múltipla e a diabetes tipo 1 em adultos. Em 2013, o comité de nutrição da European Society for Peadiatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition (ESPGHAN) definiu como ponto de corte para a caracterização de suficiência em VitD em crianças e adolescentes, a concentração sérica de 20 ng/mL (50 nmol/L), enquanto concentrações inferiores a 10 ng/mL (25 nmol/L) são indicativas de deficiência grave, tendo por base a salvaguarda da saúde óssea.”

O segundo estudo, liderado por uma equipa multidisciplinar de investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e do Centro Hospitalar e Universitário do Porto – Hospital de Santo António, conclui que cerca de 78% da população tem insuficiência de Vitamina D e quase metade (48%) da população estudada tem uma deficiência considerada grave.

O sol é a principal fonte de Vitamina D e, como seria de esperar, a percentagem de pessoas com insuficiência de Vitamina D flutua ao longo do ano, apresentando no Verão o valor mais baixo (62%), mas atinge no Inverno valores de cerca de 95%. Sendo Portugal um país com muito sol, é fácil de perceber que o problema está no facto das pessoas não se exporem o tempo suficiente ao sol sem protetor solar.

É curioso que os pediatras aconselham a administração da Vitamina D a todos os bebés para prevenir essencialmente o raquitismo, mas não aconselham a continuidade após o primeiro ano. Será que acreditam que após o primeiro ano, e de repente, os bebés passam a estar mais expostos ao sol?

O que devemos então fazer para corrigir este problema?

Este problema surge porque passamos os nossos dias fechados dentro dos edifícios, muitas vezes sem vermos o sol. Por isso, o primeiro passo é alterar esse comportamento. O ideal é criar uma rotina em que nos expomos ao sol durante um mínimo de 20 minutos entre as 11h e as 14h, 3 vezes por semana. É importante ter 60% do corpo exposto e não usar o protector solar durante esta exposição pois este bloqueia a síntese da Vitamina D.

Idealmente, todos nós deveríamos de medir os nossos níveis séricos de Vitamina D e, quando não nos for possível obtê-la a partir do sol, devemos de suplementá-la escolhendo para isso a Vitamina D3 (Cholecalciferol). Isto, sempre acompanhados por um profissional de saúde.

Autor: Marta Cunha

 

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