Os 12 químicos mais perigosos para a saúde hormonal

Existem mais de mil substâncias ou misturas químicas que podem interferir com os sistemas hormonais do nosso corpo, nomeadas de disruptores endócrinos, facilitando a instalação da doença.

O BPA ou bisfenol A, por exemplo, é um dos mais estudados disruptores endócrinos que existe! Estudos animais sugerem que a exposição atual ao BPA pode afetar três gerações futuras. Ele está presente em coisas como o revestimento de alimentos enlatados, recipientes de plástico que usamos para guardar alimentos, garrafas de água e até mesmo nos revestimentos térmicos das caixas registradoras. O BPA tem sido relacionado com uma série de doenças, mas principalmente com cancros hormonais da mama e da próstata, síndrome do ovário policístico e puberdade precoce.

Mas o BPA é apenas um dos disruptores endócrinos (DEs)! Os ftalatos e o triclosan são outros químicos que desequilibram o nosso sistema hormonal, e podemos encontrá-los em produtos usados no nosso dia-a-dia bem como no ambiente, inclusive na água da torneira.

As pesquisas feitas nos últimos 25 anos relacionam os desreguladores endócrinos com muitos problemas de saúde, incluindo distúrbios reprodutivos masculinos e femininos, morte prematura, obesidade e diabetes, impactos neurológicos, cancro da mama, endometriose, distúrbios imunológicos, cancro do fígado, osteoporose, doença de parkinson, cancro da próstata e distúrbios da tiróide.

O que é um disruptor endócrino?

De acordo com o Instituto Nacional de Ciência da Saúde Ambiental, os disruptores endócrinos são substâncias químicas que podem interferir no sistema endócrino do corpo e produzir efeitos adversos no desenvolvimento, na reprodução, no sistema neurológico e imunológico tanto em seres humanos como na vida selvagem. Acredita-se que o dano seja mais grave durante a exposição pré-natal ou gravidez precoce. (1)

“Desde o dia da concepção até ao nascimento do bebé, o desenvolvimento de cada estágio da vida está totalmente sob o controlo hormonal. As mudanças que acontecem durante o desenvolvimento são muito menos reversíveis [do que as que ocorrem em um adulto]; não se pode voltar atrás e reprogramar o cérebro.”–  Theo Colborn, Ph.D., zoólogo, fundador e presidente da Endocrine Disruption Exchange

O que compõe o sistema endócrino?

O sistema endócrino é composto por todas as diferentes hormonas do corpo e regula todos os processos biológicos do mesmo, desde a concepção até à velhice. Isso inclui: (2)

  • desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso
  • crescimento e função do sistema reprodutivo
  • função do metabolismo e dos níveis de açúcar no sangue

Os seus principais componentes são:

  • ovários femininos
  • testículos masculinos
  • glândula pituitária
  • glândula tireóide
  • glândulas supra-renais

Quando se trata de produtos químicos, parece lógico pensar que doses mais altas são mais perigosas porque os impactos na saúde são imediatos e óbvios (por exemplo com os pesticidas). Mas quando falamos de disruptores endócrinos, o caso muda de figura, pois mesmo doses minúsculas podem levar a efeitos devastadores para a saúde. O que acontece é que, às vezes, esses impactos na saúde só se manifestam após anos ou décadas da exposição. E, ao contrário dos envenenamentos de alta dose, não é tão fácil fazer a conexão da causa e efeito.

Investigadores têm feito descobertas que mostram como os químicos desreguladores do sistema endócrino afetam a saúde humana. E não é bonito.

O nosso sistema hormonal é tão delicado que até mesmo pequenas exposições a certos químicos, em pontos-chave do nosso desenvolvimento, podem levar ao aparecimento de doenças mais tarde. Cientistas membros da Endocrine Society emitiram um relatório em que afirmam o seguinte:

“Apresentamos a evidência de que os disruptores endócrinos têm efeitos sobre a reprodução masculina e feminina, desenvolvimento da mama e cancro, cancro da próstata, neuroendocrinologia, tiróide, metabolismo e obesidade e endocrinologia cardiovascular.” (3)

Os 12 disruptores endócrinos mais perigosos

Com mais de mil disruptores hormonais por aí, os cientistas do Environmental Working Group criaram uma lista dos 12 mais perigosos e proeminentes, e que devem ser evitados. São eles:

  • #1 BPA
  • #2 Dioxina
  • #3 Atrazina
  • #4 Ftalatos
  • #5 Perclorato
  • #6 Retardantes de chama
  • #7 Chumbo
  • #8 Arsênio
  • #9 Mercúrio
  • #10 Compostos perfluorados (PFCs)
  • #11 Pesticidas organofosforados
  • #12 Éteres de glicol

Como diminuir a exposição a estes disruptores endócrinos

Evitar os plásticos e os alimentos enlatados

Os plásticos libertam químicos para os alimentos ou água, especialmente quando são aquecidos. É mais seguro optar por recipientes de vidro sempre que possível e nunca aquecer as refeições em recipientes de plástico. É preciso também muita cautela com os alimentos enlatados devido à contaminação por BPA, portanto, os alimentos frescos ou congelados são sempre escolhas melhores.

Optar por detergentes de limpeza seguros

A maioria dos detergentes contêm químicos que são disruptores endócrinos como os ftalatos. O ideal é fazer os próprios detergentes em casa ou comprar produtos mais naturais.

Escolher um contraceptivo não hormonal

Escolher uma abordagem mais natural para o controlo da natalidade é mais seguro do que as formas hormonais de contracepção. As pílulas anticoncepcionais convencionais são formas sintéticas de estrogénio e progestina. A adição de hormonas não naturais no organismo prejudica o equilíbrio hormonal natural do corpo, resultando em efeitos secundários indesejados. Os preservativos e os DIU não hormonais são opções mais saudáveis que devem ser consideradas.

Ler os rótulos dos produtos de cosmética e de higiene

Uma pessoa comum usa normalmente 9 produtos diferentes por dia, para higiene e cuidado pessoal, que, de acordo com a EWG, contêm 126 ingredientes diferentes. Embora a lista de disruptores endócrinos nos cosméticos seja longa, aqui está um ótimo truque para eliminar rapidamente os produtos que provavelmente contêm ftalatos: Lê a lista de ingredientes e evita os que tiverem “fragância” ou “perfume” pois são termos gerais que podem incluir mais de 3000 produtos químicos que geralmente têm ftalatos.

Adotar uma alimentação mais fresca e natural

O que comemos e bebemos está muito relacionado com a quantidade de disruptores hormonais que acabamos por ter no corpo. Uma dieta anti-estrogénica assenta em três cuidados principais: comer mais abaixo na cadeia alimentar, comer menos alimentos processados ​​e quimicamente carregados e suplementar a dieta com compostos que diminuem o excesso de estrogénio e ajudam o corpo a eliminar as hormonas em excesso. Na prática significa:

  • Evitar alimentos processados e refinados
  • Diminuir a exposição a pesticidas e herbicidas
  • Optar por alimentos de origem animal que sejam criados em pasto
  • Garantir que a refeição contém 50% de vegetais frescos que ajudam na desintoxicação
  • Comprar alimentos a produtores locais
  • Evitar o consumo de soja e derivados

Os produtos químicos podem estar em praticamente todo o lado, mas podemos fazer alterações simples que reduzem bastante a  nossa carga pessoal de desreguladores endócrinos e o que passamos para os nossos filhos.

Fontes:
Dr. Axe
EWG

Autora:
Marta Cunha
Health Coach

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