Um encontro na tua solidão feliz por Anabela Seabra

A vida parece que corre depressa, tão depressa que às vezes parece que sufoca.

Os pensamentos acontecem, um atrás do outro, queres agarrá-los e não consegues de tão velozes que surgem. As vozes, os ruídos da rádio, da televisão, dos que falam ao telefone, dos dedos a pressionarem o teclado, os pedidos do chefe, dos filhos, dos colegas, as solicitações, as exigências, as cobranças, as discussões, os prazos limites para entrega, a pressão de querer fazer, e com perfeição, o querer não errar, as comparações, as críticas, os julgamentos, os receios, as hesitações… E tantos, tantos outros motivos e justificações que nos roubam a necessidade humana de nos voltarmos para dentro.
Quando estava a aprender sobre mindfulness e me via a viver em estado de quase estrangulação, deparei-me com uma expressão que trago comigo desde então: a viagem mais longa é a viagem para dentro. [obrigada Mikaela Owen pela partilha]

Comecei a compreender que a solitude, ou a solidão feliz (expressão carinhosa que costumo usar) era uma das minhas maiores necessidades que precisava de conceder-me a mim mesma.

A capacidade de estar apenas comigo, num estado de total vazio, de presença num corpo, mas ausente do mundo, dos pensamentos, das emoções, dos ruídos, das dúvidas e receios. Apenas estar com um olhar de contemplação, simplicidade e encantamento. Lentamente, comecei a descobrir que cabia em mim espaço para o silêncio e para o estado de não-estado. E nesse vazio, fiz uma descoberta, um encontro sincero comigo, e comecei a viagem de aprender a beijar as minhas feridas, a olhar o mundo, as pessoas, as experiências e os momentos com uns olhos renovados, a aceitar as entranhas e a limpá-las uma a uma, de cada vez. Nos momentos de solitude descobri que havia muito mais em mim do que a minha imaginação podia criar. Encontrei formas, cores e um brilho cintilante que me lembra que há luz depois das entranhas.

Na azáfama que acreditas que possas viver, com que frequência expões as tuas sombras à luz? Achas que é complicado parar, que é desperdício de tempo, que tudo está bem, quando algures em ti sentes e pensas que há algo a dizer-te que não estás bem? Na verdade, de que foges? Das sombras criadas por ti? Talvez as sombras apenas te estejam a convidar para que as visites, num momento de solitude, e que, com generosidade, lhes mostres que elas podem ser vistas. E aí sim, está tudo bem. Quando começares a retirares-te para viajares para dentro de ti, vais reparar que as feridas desaparecem e a harmonia desperta. Boa viagem na tua solidão feliz.

Autora: Anabela Seabra
voosinteriores.blogspot.pt

Anabela Seabra nasceu em Paredes em 1987 e é uma entusiasta por despertar o potencial das pessoas. Paralelamente à atividade de diretora comercial, é life e business coach.

Licenciada em Ciências da Comunicação e Mestre em Comunicação, compreendeu cedo que a área do desenvolvimento pessoal é a que mais a entusiasma. Certificou-se como Practitioner e Master em PNL e, mais tarde, em Coaching. Enquanto coach, é sua intenção facilitar o processo de mudança, garantir o foco e motivação e contribuir para mais e melhores resultados de excelência.

 

 

 


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